sábado, 3 de novembro de 2018

A sociedade precisa de todos

Cada vez mais, denoto uma presunção de superioridade ridícula por parte dos alunos da área das Ciências em relação aos alunos das áreas das Humanidades ou da Economia por, alegadamente, Físico e Química ou Biologia e Geologia serem disciplinas mais difíceis que História, Ciência Política ou Economia.

Aos cientistas e engenheiros de amanhã, digo-vos, pois bem, que as vossas descobertas só assim poderão ser classificadas, porque houve historiadores que foram registando os grandes passos da Humanidade, só serão divulgadas ao grande público com o auxílio dos jornalistas e só as poderão tornar propriedade vossa recorrendo a advogados e a notários. Do mesmo modo, só obterão os fundos de que necessitam com a astúcia dos gestores que certamente vos lideram e só terão uma reforma, numa altura em que já serão muito mais sábios do que são hoje, porque houve mentes brilhantes do mundo da economia que pensaram num sistema de proteção social.

Ninguém é mais que os outros por se dedicar a uma área diferente. A pluralidade faz parte da espécie humana e é uma das nossas maiores riquezas. A sociedade precisa de todos, não apenas de cientistas ou engenheiros.

domingo, 3 de junho de 2018

Start Again!

Não tenho tido oportunidade de escrever e de lançar o meu projeto em força. Os meus deveres académicos têm ocupado grande parte do meu tempo. Contudo, hoje arranjei uns minutos para vir aqui deixar uma música com grande significado para mim, significado esse que não advém da letra em si, de uma particular simpatia pelos artistas que nela se envolvem, mas sim de todas as emoções para as quais o instrumental me convoca de uma maneira que considero inexplicável.

Ivan B - Start Again (Prod. Tido Vegas)


segunda-feira, 9 de abril de 2018

A brilhante TED Talk de Pedro Lamares

Para quem não conhece, as TED Talks (https://www.ted.com/) representam palestras/conferências dadas por especialistas de várias áreas. O objetivo da fundação Sapling, que financia o projeto, passa pela divulgação de ideias que, no seu entender, merecem ser disseminadas. Aliás, o slogan da TED é, precisamente, "Ideas worth spreading".

Há não muito tempo, descobri e passei a conhecer o projeto da referida fundação (por sinal, uma Organização Não Governamental, o que, da minha perspetiva, lhe atribui particular credibilidade e honorabilidade), na altura graças ao prestigiadíssimo ator português nonagenário Ruy de Carvalho, com cujas assertivas e sábias palavras acerca do sonho e da sua importância na sociedade atual me deleitei. Não obstante, não é dele que falo neste meu texto. Talvez fique para outra altura. Certamente, merecê-lo-á.

Tão ao mais brilhante que a intervenção de Ruy de Carvalho foi, de facto, a TED Talk de Pedro Lamares, na cidade do Porto. Mas quem é Pedro Lamares? Admito que esta pergunta paire sobre a cabeça de muitos que, neste momento, leem as minhas palavras. Não se sintam incultos por não o saberem. Também eu não o conhecia até à sua participação, como personagem principal, na telenovela A Herdeira, atualmente em exibição na TVI. Depois de alguma investigação, descobri o lado de declamador do ator portimonense de 36 anos e, posteriormente, a TED Talk de que hoje vos falo.

Numa intervenção designada "A poesia não se serve em pratos de balança", Pedro Lamares questiona a importância excessiva que os números têm no nosso quotidiano, desde as médias de acesso ao ensino superior, ao sistema económico contemporâneo, defendendo uma sociedade na qual seja dada à cultura (e, em particular, à nossa literatura) a oportunidade de desempenhar um papel central na construção daquela, em função das inúmeras deficiências que uma sociedade dominada por economistas irrefutavelmente apresenta.

Intercalando o desenvolvimento do seu pensamento com a declamação de textos (sobretudo, poemas) que são, para si, marcantes, Pedro Lamares acaba por apresentar uma perspetiva interessantíssima sobre o mundo de um modo absolutamente brilhante. Deixo-a abaixo.


segunda-feira, 2 de abril de 2018

O projeto, as motivações e a escolha do nome

Neste dia 2 de abril de 2018, decido abraçar um projeto que já tinha em mente há algum tempo - um blogue pessoal. Faço-o, porque me senti na necessidade de criar um espaço meu, onde possa expressar os meus pontos de vista sobre os demais assuntos, expor aquilo que considero interessante, desde textos a músicas, desde sítios a pessoas, sem pressões e sem comprometimentos. Em suma, pretendo que este lugar seja um reflexo da minha pessoa. Dou, deste modo, a qualquer um a oportunidade de me conhecer, se for essa a sua vontade.

Um dos obstáculos com que me deparei logo à partida para a criação deste blogue foi a sua designação. Depois de algum tempo de reflexão, creio, apesar das dores de cabeça, ter chegado a um nome interessante, suficientemente abrangente e condizente com a minha perspetiva de vida. "O Espetáculo do Mundo" passa, assim, a ser o meu lugar neste infindável mundo que é a Internet.

Como é habitual nas melhores ideias, estas surgem, aparentemente, do nada e, de facto, foi em mais um dos meus pensamentos aleatórios que me veio à cabeça parte do título do poema (que deixo no final) "Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo", da autoria de Ricardo Reis, o heterónimo de Fernando Pessoa que representa a sua faceta clássica e estoico-epicurista, isto numa altura em que me venho surpreendendo positivamente com O Ano da Morte de Ricardo Reis, a primeira obra (e talvez não seja a última por este andar, pese embora o geral desamor que nutro pela leitura) que leio do nosso Prémio Nobel da Literatura, José Saramago.

A este nível, devo confessar que não me tenho como nenhum sábio. Porém, considero, tal como o referido heterónimo pessoano, que o mundo representa, efetivamente, um verdadeiro espetáculo com o qual me deparo todos os dias e, como espetáculo que é, não me agrada em todos os atos e momentos (ou até personagens) apresentados.

Apesar da sintonia identificada, creio marcar uma clara diferença para com Ricardo Reis, na medida em que, ao contrário dele, não me consigo contentar com o espetáculo do mundo (e talvez tenha a ver com isso o facto de eu não ser sábio - não só, mas também), não me conformo, e, consequentemente, faço questão de deixar claros os meus pareceres (se possível, fazendo-os valer nas minhas ações) em relação ao que nele se passa. Esta assume-se, por conseguinte, como a finalidade última do meu blogue.

Desta forma, não prometo que as minhas opiniões sejam sempre consensuais, mas garanto que a sua emissão, sincera, far-se-á sempre no sentido de melhorar o "espetáculo", enriquecendo o diálogo; nunca numa perspetiva destrutiva. Idealmente, poderemos aspirar, com esta postura, à construção de uma sociedade melhor.

O autor,

Gonçalo Ferreira da Silva.

NOTA: Deixo, então, o poema em cujo título me inspirei para dar nome ao blogue que agora nasce.

"Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo,
     E ao beber nem recorda
     Que já bebeu na vida,
     Para quem tudo é novo
     E imarcescível sempre.

Coroem-no pâmpanos. ou heras. ou rosas volúveis,
     Ele sabe que a vida
     Passa por ele e tanto
     Corta a flor como a ele
     De Átropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
     Que o seu sabor orgíaco
     Apague o gosto ás horas,
     Como a uma voz chorando
     O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranquilo,
     E apenas desejando
     Num desejo mal tido
     Que a abominável onda
     O não molhe tão cedo."

Ricardo Reis, 19 de junho de 1914.



O Efeito Dunning-Kruger

«O ignorante afirma, o sábio duvida», já dizia Aristóteles, séculos antes de a psicologia nomear um efeito para explicar o porquê de tantos...